23 maio, 2005

Sentido

Hj eu tenho mtas mtas mtas palavras p/ escrever aqui. Poderia escrever sobre os dois resgates de atropelados que eu vi ontem, sobre as freiras na esquina rezando pela saúde ou pela alma da vítima, sobra a ambulância na contramão na Berrini, sobre a mocinha que carregava seus cadernos com tanto carinho que parecia um bebê, sobre a Trakinas de morango que devo p/ o Mário-Arthur e sobre a Chocolícia que devo p/ o Coelho, sobre o que ando fazendo na confeitaria, sobre a maldita gelatina encantada e o olho-gordo em cima da calda, até sobre a morte do palhaço Arrelia, nem um pouco cômica

Mas hj nenhuma palavra minha é alegre, nenhum olhar é leve e nenhum gesto espontâneo. Hj tudo é ensaiado, as palavras, os bom-dias, os tudo-tranquilo-e-vc? De boas intenções o inferno está cheio. Hj eu sou transparente. Invisível. Turva. Gelada. Azeda. Arrastando-me pelo mundo.
Não sei mais o que fazer além de chorar na rua, como uma menina que acabou de brigar com o namorado. Além de ter vontade de ficar na cama, enrolada-fetal, sem ver nada, soluçando baixinho, tentando me aquecer.

Hj eu não encontro nenhum conforto, nenhum alívio, nenhuma saída.