23 julho, 2009

Necessidade

1 ano e 6 meses que não escrevo nesse blog, que nasceu e continuou como um confessionário público, como uma terapia velada, como uma válvula de escape esquisita, escrever em códigos meias-palavras e dores completas, o que se passa no meu mundo, egoisticamente querendo atenção e envergonhada de precisar.

Nesse tempo, mudei de país, de corte de cabelo, de cor de pijama e de aliança. Sou uma mulher casada agora, só tenho pijamas cor de rosa e preciso cortar o cabelo. Ah, e moro na Nova Zelândia. Moro numa fazenda, a 16km da cidade mais próxima, entre vacas e bezerros e grama, muita grama. Meu marido encontrou sua vocação na vida e cada dia que passa eu sinto mais orgulho por ele, por estar tão centrado, aprendiz de uma profissão e de uma língua, cresendo a olhos vistos. A vida de casada é absolutamente igual à que tinha antes do casamento, com altos, baixos, silêncios e risadas. Nada mudou, exceto um pulinho de alegria qdo posso me referir a ele como marido e qdo ouço ele dizer minha esposa.

Então como explicar dentro de mim, as mesmas inseguranças, aumentadas exponencialmente, o mesmo medo, escancarado, entendido. Até o verbo, antes fluente e frequentes, agora volta a buscar refúgio. Como entender a falta de assunto comigo mesma, o vazio na mente? Nada nunca foi efetivamente resolvido, só adiado. Quando viajarmos, qdo começar a dirigir, qdo arrumar um emprego, qdo. A que altura da minha vida vai surgir um propósito? Onde está a ambição, o sonho que deveria me mover?

Como descrever a falta que eu sinto do meu futuro, a saudade de planos que nunca fiz, da pessoa que eu deveria ser hoje? Colégio, faculdade, namoro, casamento, sucesso. Como se faltasse um pedaço de mim que nunca conheci. Uma vocação. Um orgulho de mim mesma que nunca tive. Um orgulho de mim mesma que não tenho.

Eu já tive muitos dias de felicidade na vida, felicidade pura e inocente, presentes. Talvez exista uma regra, um balanço cósmico, cármico. I'm still trying to figure everything out.